Borboleta Branca da Madeira (Pieris wollastoni): Características, Habitat e Extinção

A borboleta branca da Madeira (Pieris wollastoni) foi uma borboleta endêmica da ilha da Madeira, em Portugal. Em 2025, foi declarada oficialmente extinta — tornando-se a primeira borboleta europeia a desaparecer globalmente. Sua história é um dos casos mais documentados sobre o impacto de espécies invasoras em ecossistemas insulares.

Nome Científico e Classificação

O nome científico é Pieris wollastoni, batizado em homenagem ao entomologista britânico Thomas Vernon Wollaston, que a descreveu no século XIX. Inicialmente classificada como subespécie de Pieris brassicae (a grande borboleta branca europeia), estudos posteriores a reconheceram como espécie independente.

  • Ordem: Lepidoptera
  • Família: Pieridae
  • Gênero: Pieris
  • Espécie: Pieris wollastoni
  • Endemismo: Ilha da Madeira, Portugal
  • Status de conservação: Extinta (EX)

Ela pertencia à família Pieridae — o grupo das borboletas brancas e amarelas, com cerca de 700 espécies no mundo. As borboletas desempenham papel fundamental como polinizadores: saiba mais sobre isso em nosso guia sobre polinizadores além das abelhas.

Características Físicas

Era uma borboleta de grande porte para os padrões europeus. A envergadura variava entre 55 e 72 milímetros — consideravelmente maior que a Pieris rapae (32–47 mm).

Sua coloração seguia o padrão da família:

  • Asas predominantemente brancas
  • Pontas pretas no primeiro par de asas
  • Pequenos pontos escuros na face superior

Havia dimorfismo sexual visível:

  • Machos: manchas pretas somente na margem superior das asas anteriores
  • Fêmeas: manchas em ambas as faces das asas, com padrão mais marcado

Habitat: A Floresta Laurissilva

A espécie viveu por milênios na floresta Laurissilva, no norte da ilha da Madeira. Esse é um habitat único no mundo: uma floresta subtropical úmida dominada por loureiros e teixos, classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO.

A Pieris wollastoni ocupava preferencialmente altitudes acima de 650 metros, onde o clima era mais frio e úmido. Esse isolamento por milênios permitiu que a espécie evoluísse de forma independente, sem contato com as pragas e doenças do continente europeu.

Nos anos 1950, a borboleta começou a expandir seu território para as zonas agrícolas mais baixas, onde passou a ser chamada de “borboleta da couve”. Essa saída do refúgio florestal foi o início do fim.

Para entender o conceito de habitat natural e por que sua preservação é essencial, confira nosso artigo dedicado ao tema.

Alimentação das Lagartas

As lagartas (larvas) da borboleta branca da Madeira se alimentavam de plantas da família Brassicaceae — repolho, couve, nabo e espécies nativas da Laurissilva. As larvas eram verdes e bem camufladas, descansando na face inferior das folhas para fugir dos predadores.

Confira nosso artigo sobre como eliminar lagartas das plantas para entender o impacto dessas larvas na agricultura e os métodos mais eficazes de controle.

A Extinção: Como e Por Que Aconteceu

A última observação confirmada da Pieris wollastoni ocorreu em maio de 1977. Desde então, nunca mais foi encontrada, apesar de buscas realizadas nas décadas seguintes.

A causa apontada pelos pesquisadores é a introdução de Pieris rapae na ilha da Madeira durante os anos 1950. A Pieris rapae — a popular “pequena borboleta branca”, encontrada no mundo inteiro — chegou carregando um vírus para o qual a espécie endêmica não tinha nenhuma defesa imunológica.

O resultado foi uma epidemia silenciosa. A população de Pieris wollastoni foi dizimada ao longo de décadas, sem que os pesquisadores percebessem o que estava acontecendo a tempo de agir. Em 2025, a espécie foi oficialmente declarada extinta — tornando-se a primeira borboleta europeia a desaparecer globalmente.

Pieris wollastoni vs. Pieris rapae: As Diferenças

As duas espécies parecem similares à distância, mas são distintas em tamanho, distribuição e status de conservação:

Característica Pieris wollastoni (extinta) Pieris rapae (comum)
Envergadura 55–72 mm 32–47 mm
Distribuição Somente ilha da Madeira Europa, Ásia, Américas, Austrália
Status Extinta (2025) Abundante
Habitat original Laurissilva, acima de 650 m Campos abertos, hortas, jardins

Importância para a Conservação

O caso da borboleta branca da Madeira é um alerta sobre o impacto de espécies invasoras em ecossistemas insulares. Ilhas têm faunas únicas, desenvolvidas em isolamento por milhares de anos — e por isso são extremamente vulneráveis quando espécies externas chegam com patógenos desconhecidos.

A extinção aconteceu de forma gradual e silenciosa. Muitas espécies desaparecem antes que a ciência consiga documentá-las adequadamente. O caso da Pieris wollastoni é hoje estudado como exemplo dos efeitos em cascata que uma única introdução acidental pode causar.

Perguntas Frequentes

Qual é o nome científico da borboleta branca da Madeira?

O nome científico é Pieris wollastoni, em homenagem ao entomologista britânico Thomas Vernon Wollaston, que a descreveu no século XIX.

A borboleta branca da Madeira ainda existe?

Não. A espécie foi declarada oficialmente extinta em 2025 — a primeira borboleta europeia a desaparecer globalmente. A última observação confirmada ocorreu em maio de 1977.

Por que a borboleta branca da Madeira entrou em extinção?

A causa mais aceita pelos pesquisadores é a introdução de Pieris rapae na ilha da Madeira nos anos 1950. Essa espécie invasora trouxe um vírus ao qual a borboleta endêmica não tinha resistência, dizimando a população ao longo das décadas.

Onde vivia a borboleta branca da Madeira?

Ela era endêmica da ilha da Madeira, em Portugal. Vivia principalmente na floresta Laurissilva — patrimônio mundial da UNESCO — em altitudes acima de 650 metros.

Qual é a diferença entre Pieris wollastoni e Pieris rapae?

São espécies distintas. A Pieris wollastoni era maior (55–72 mm), exclusiva da Madeira e hoje extinta. A Pieris rapae é menor (32–47 mm), encontrada no mundo inteiro e foi, ironicamente, a espécie que contribuiu para a extinção da borboleta endêmica ao trazer um vírus desconhecido na ilha.