Preá (Cavia aperea): Características, Habitat e Conservação
O preá (Cavia aperea) é um roedor silvestre nativo da América do Sul e um dos mamíferos mais comuns nos campos e cerrados do Brasil. Pequeno, discreto e rápido, ele desempenha um papel fundamental na cadeia alimentar e na regulação da vegetação. Este guia reúne tudo sobre a espécie: características, habitat, alimentação, reprodução e conservação.
O que é o preá?
O preá pertence à família Caviidae, a mesma do porquinho-da-índia doméstico (Cavia porcellus). É também chamado de pereá, piriá ou bengo em diferentes regiões do Brasil. Diferente do porquinho-da-índia, o preá é silvestre e protegido pela legislação ambiental brasileira — criá-lo como animal de estimação sem autorização é crime ambiental.
A espécie foi descrita cientificamente por Erxleben em 1777 e é considerada ancestral próxima do porquinho-da-índia doméstico, usado há séculos como animal de companhia e em pesquisa científica.
Características físicas
O preá adulto mede entre 20 e 30 cm de comprimento e pesa de 500 g a 1 kg. Não tem cauda. Sua pelagem densa vai do cinza ao marrom-amarelado — coloração que funciona como camuflagem entre gramíneas e vegetação rasteira.
- Patas dianteiras com 4 dedos; traseiras com 3, ligeiramente mais longas
- Incisivos brancos de crescimento contínuo (característica de todos os roedores)
- Orelhas curtas e arredondadas
- Olhos posicionados lateralmente, ampliando o campo visual para detectar predadores
Machos e fêmeas têm tamanho semelhante. Fêmeas em lactação podem ser identificadas pelos mamilos visíveis na barriga.
Onde vive o preá?
O preá ocorre em praticamente todos os biomas brasileiros. Prefere ambientes abertos com cobertura vegetal baixa que ofereçam alimento e refúgio:
- Campos e pampas gaúchos
- Bordas de matas e capoeiras
- Cerrado aberto e campos sujos
- Caatinga (especialmente zonas úmidas)
- Bordas da Mata Atlântica
- Margens de riachos, brejos e veredas
A espécie está entre as que melhor se adaptam a ambientes alterados. É comum em áreas rurais, pastagens e arredores de cidades onde exista vegetação rasteira. Seu habitat natural pode variar bastante conforme a região.
Comportamento
O preá é principalmente diurno, com maior atividade no início da manhã e no entardecer. Vive em pequenos grupos familiares com um macho dominante, fêmeas e filhotes. Os membros do grupo se comunicam com sons agudos — chamados de alerta são emitidos quando um predador se aproxima.
Ao detectar perigo, o preá foge em trajetória em zigzague, dificultando o ataque de aves de rapina em voo rasante. Em vegetação densa, pode paralisar e se camuflar em vez de fugir.
Alimentação
O preá é estritamente herbívoro. Sua dieta inclui:
- Gramíneas e capins nativos
- Ervas rasteiras e folhas
- Sementes, brotos e raízes
- Frutos silvestres em menor quantidade
Esse hábito alimentar tem efeito direto na composição da vegetação local. O preá controla o crescimento de gramíneas e dispersa sementes nas fezes, influenciando a regeneração de plantas em campos e pastagens naturais.
Reprodução
O período de gestação do preá dura cerca de 61 dias — longo para um animal de seu porte. A fêmea dá à luz de 1 a 5 filhotes, com média de 2. Os filhotes nascem precoces: já têm pelos, olhos abertos e conseguem se locomover poucas horas após o nascimento.
A maturidade sexual é atingida entre 3 e 4 meses de idade. Uma fêmea pode ter várias ninhadas ao longo do ano, o que mantém a população estável mesmo diante da alta predação natural.
Importância ecológica
O preá é uma espécie-chave nos ecossistemas que habita. Como presa, sustenta populações de:
- Aves de rapina: gaviões, corujas e carcarás
- Serpentes: jiboia, cascavel e outras espécies
- Mamíferos carnívoros: raposa, cachorro-do-mato, graxaim e irara
Como herbívoro, regula a vegetação rasteira e contribui para a dispersão de sementes. Em pastagens naturais, a presença do preá indica equilíbrio ecológico e boa diversidade de flora associada.
Ameaças e conservação
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica o preá como “menos preocupante” (Least Concern), reconhecendo sua capacidade de adaptação. Mesmo assim, enfrenta pressões reais:
- Perda de habitat: O desmatamento e a conversão de campos nativos em lavouras reduzem o espaço disponível para a espécie.
- Caça ilegal: Em partes do Nordeste e Centro-Oeste, o preá ainda é caçado por sua carne. A prática é proibida pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).
- Predadores domésticos: Cães e gatos soltos em áreas rurais e periurbanas representam uma ameaça crescente e subestimada.
- Atropelamento: Em rodovias que cruzam campos e cerrados, o preá é vítima frequente de atropelamento.
As estratégias de conservação mais eficazes incluem a manutenção de campos nativos, a fiscalização da caça ilegal e a educação ambiental em comunidades rurais. Encontrou um preá ferido? Contate o IBAMA ou um Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) da sua região.
Perguntas frequentes sobre o preá
O preá pode ser criado como animal de estimação?
Não. O preá é animal silvestre protegido pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e por normativas do IBAMA. Mantê-lo em cativeiro sem autorização é crime. O porquinho-da-índia é o equivalente doméstico legalmente permitido.
Qual a diferença entre preá e porquinho-da-índia?
O porquinho-da-índia (Cavia porcellus) é a versão domesticada de ancestrais do gênero Cavia. O preá (Cavia aperea) é a espécie silvestre ainda encontrada na natureza. São parentes próximos, mas o preá é menor, mais ágil e não se adapta ao cativeiro.
O preá transmite doenças?
Na natureza, o preá pode ser hospedeiro de ectoparasitas como carrapatos e pulgas. Contato direto com a espécie é raro. Evite manipular animais silvestres encontrados doentes ou mortos — contate um órgão ambiental.
O preá é da mesma família que a capivara?
Sim. Preá e capivara pertencem à ordem Rodentia e à superfamília Cavioidea, compartilhando características como corpo robusto, ausência de cauda e dieta estritamente herbívora.
Como identificar um preá na natureza?
Procure por um animal pequeno (20–30 cm), de pelagem cinza-acastanhada, sem cauda, movendo-se em grupos por campos abertos, capoeiras e bordas de mata. O chamado de alerta — piados agudos em sequência — costuma ser ouvido antes de o animal ser avistado.






