Tadorna Ferruginea: Características e Curiosidades (2026)

A Tadorna ferruginea é uma ave da família Anatidae com plumagem alaranjada inconfundível. Originária da Europa Oriental e da Ásia Central, ela é criada como ave ornamental no Brasil inteiro — conhecida entre criadores pelo canto peculiar, que alguns comparam ao uivo de uma foca.

O que é a Tadorna ferruginea?

A Tadorna ferruginea pertence ao gênero Tadorna, que reúne patos e marrecos de grande porte, intermediários entre os patos comuns e os gansos. O nome “ferruginea” vem do latim ferrum (ferro) — referência direta à plumagem cor de ferrugem que caracteriza a espécie.

Não é uma espécie nativa do Brasil: sua área de distribuição natural vai da Espanha ao Japão, passando pelo Oriente Médio e pela Ásia Central. No país, está presente exclusivamente em criatórios particulares e coleções zoológicas.

Características físicas

A Tadorna ferruginea é uma ave de médio a grande porte, com aparência robusta que lembra mais um ganso do que um pato doméstico comum:

  • Comprimento: 58 a 70 cm
  • Envergadura: 110 a 135 cm
  • Peso: 1.100 a 1.600 g (machos são maiores)
  • Plumagem: corpo laranja-ferrugem uniforme; cabeça e pescoço mais claros, quase creme. Asas brancas com penas de voo pretas. Espelho alar (mancha na asa) verde-metálico, visível em voo.
  • Bico e patas: curtos, de cor escura

O dimorfismo sexual é sutil. O macho desenvolve um anel preto fino na base do pescoço durante a época de reprodução. A fêmea tem uma pequena mancha branca na face, perto do bico. Fora desse período, distinguir os sexos exige atenção.

Origem e distribuição natural

No habitat silvestre, a Tadorna ferruginea ocorre desde o sudeste da Europa (Grécia, Bulgária, Turquia) até o leste da China e o nordeste da Índia. Populações migratórias passam o inverno no norte da África e no sul da Ásia.

Prefere terrenos abertos próximos a água: lagos salgados, rios de planície, pântanos e campos agrícolas úmidos. É um dos poucos patos que nidifica longe da água, usando tocas de raposas, fendas rochosas e ocos de árvores.

Alimentação

A dieta da Tadorna ferruginea é onívora, com tendência mais vegetariana do que a maioria dos patos:

  • Gramíneas, sementes e brotos de ervas aquáticas
  • Raízes e tubérculos de plantas palustres
  • Insetos aquáticos, crustáceos e moluscos pequenos
  • Ocasionalmente anfíbios pequenos

Em cativeiro, aceita bem ração para aves aquáticas suplementada com folhagens verdes frescas, milho e trigo. O acesso a água rasa para se alimentar junto ao solo melhora o bem-estar do animal.

Reprodução

A Tadorna ferruginea forma casais estáveis e monogâmicos. A fêmea é a responsável pela escolha do ninho — geralmente um buraco no solo, uma toca abandonada ou uma cavidade em tronco de árvore, distante da água. Ela forra o interior com penas de seu próprio peito.

  • Postura: 6 a 16 ovos brancos-creme por temporada
  • Incubação: 27 a 30 dias, feita quase exclusivamente pela fêmea
  • Ninhegos: nidífugos — saem do ninho horas após eclodir, já capazes de nadar e buscar alimento com supervisão dos pais
  • Maturidade sexual: entre 1 e 2 anos de vida

Comportamento e temperamento

Entre os criadores brasileiros, a Tadorna ferruginea tem reputação de ave calma e sociável. Convive bem com outras espécies de patos e marrecos, desde que o espaço seja adequado durante a reprodução — casais ficam mais territoriais nessa época.

A vocalização é marcante. O macho emite um som rouco, grave e repetitivo que muitos descrevem como semelhante ao de uma foca. A fêmea tem um chamado mais agudo. O par vocaliza bastante ao amanhecer e ao entardecer.

A espécie nada bem, mas passa boa parte do tempo fora da água — pastando no solo, como um ganso. Em voo, parece mais pesada do que os patos comuns, com batidas de asas mais lentas.

Tadorna ferruginea no Brasil: criação ornamental

No Brasil, a Tadorna ferruginea é comercializada como ave ornamental por criadouros regularizados junto ao IBAMA. Ao contrário das lontras e outros animais silvestres nativos, a espécie pode ser criada e vendida legalmente, pois é exótica — não faz parte da fauna silvestre brasileira protegida pela Lei 9.605/1998.

Os preços variam conforme o criadouro e a região, mas filhotes costumam ser encontrados entre R$ 300 e R$ 800 o casal. O mercado é relativamente estável entre colecionadores de aves ornamentais.

Cuidados básicos em cativeiro

  • Espaço: área mínima de 10 a 15 m² por casal, com acesso a espelho d’água para natação
  • Alimentação: ração para patos + verduras frescas + grãos (milho, trigo); complementar com insetos e minhocas
  • Abrigo: área coberta e seca para proteção contra chuva e frio intenso
  • Reprodução: oferecer caixas de nidificação com abertura lateral, forradas com palha seca, durante a estação reprodutiva
  • Compatibilidade: convive bem com outras anátidas em recintos amplos; evitar junto a aves muito pequenas na época de reprodução

A espécie é resistente a temperaturas variadas, incluindo frios moderados, o que facilita a criação em diversas regiões do Brasil. Como a capivara e outros animais semi-aquáticos, a Tadorna se beneficia muito do acesso regular à água.

Perguntas frequentes

A Tadorna ferruginea é o mesmo que marreco tadorna tricolor?

Sim. “Marreco tadorna tricolor” é um nome popular informal usado no Brasil, provavelmente pela plumagem que mistura laranja, branco e preto. O nome científico correto é Tadorna ferruginea (tarro-canelo em espanhol, ruddy shelduck em inglês).

É legal criar Tadorna ferruginea no Brasil?

Sim. Por ser uma espécie exótica (não nativa do Brasil), a Tadorna ferruginea pode ser criada e comercializada por criadouros regularizados junto ao IBAMA, sem restrições da Lei de Crimes Ambientais que se aplicam à fauna silvestre nativa.

Quanto custa uma Tadorna ferruginea no Brasil?

Filhotes de Tadorna ferruginea costumam ser vendidos entre R$ 300 e R$ 800 o casal em criadouros brasileiros. O preço varia conforme a região e a disponibilidade.

A Tadorna ferruginea existe no Brasil em vida livre?

Não nativamente. A espécie é originária da Europa Oriental e da Ásia Central. No Brasil, existe apenas em criatórios particulares e coleções zoológicas. Eventualmente, indivíduos escapam do cativeiro, mas não há população selvagem estabelecida no país.